sexta-feira, 26 de março de 2010

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O Homem ao Mar também tem um Twitter, para as notícias mais rápidas e fresquinhas sobre os avanços na produção do documentário.

quinta-feira, 25 de março de 2010

1748-1756

Apesar de já ter começado a falar sobre os costumes e tradições açorianos desenvolvidos no Brasil, sinto que falta contar sobre o grande período de emigração passado no século XVIII. É quando o maior contingente de emigrantes açorianos desembarca no Brasil, especificamente na região Sul. Contar esse fato é um requisito importante antes de avançarmos para os próximos assuntos.

O açoriano é um povo migrante, por motivos diversos, que vão desde o vulcanismo nas ilhas, a fome, a pressão demográfica, até a busca de maior remuneração do trabalho. Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Havaí, Bermudas e Brasil, são os países que mais receberam os emigrantes dessa "diáspora".

A maior onda migratória para o Brasil ocorreu de 1748 a 1756, quando os "casais açorianos" vieram para o sul do país, fugindo da então difícil situação econômica e satisfazendo as necessidades portuguesa de ocupar o BRASIL MERIDIONAL, ainda em disputa com os espanhóis.

As famílias candidatavam-se para a emigração seduzidas pela oferta: além de pagar a viagem, a coroa entregaria uma porção de terra, sementes, ferramentas e uns poucos animais, para o recomeço no Brasil. Assim, 6000 indivíduos (entre casais novos e famílias inteiras) embarcaram nesse período, destes 4500 ficaram em Santa Catarina e os demais foram reembarcados para o Rio Grande do Sul.

Ao chegarem no novo continente as famílias açorianas reforçaram a população das freguesias já então (fragilmente) estabelecidas na região, como São Francisco do Sul, Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) e Laguna. Logo também fundaram novas, onde aplicavam seus hábitos e tradições trazidos do arquipélago, como a forma de pesca e construção de barcos, a agricultura e construção de engenhos de farinha.

Porém, as novas condições climáticas, de solo e mar, e o contato com culturas diferentes (como os indígenas) forçaram uma adaptação de seus hábitos, e esse é um assunto que será explorado num próximo post.

Fontes:
- Dos Açores ao Brasil Meridional: Uma viagem no Tempo. Vol. 2, de Vilson Francisco de Farias.
- O Atlântico Açoriano, de Eugênio Pascele Lacerda.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Você sabia? Festa do Divino Espírito Santo

Na coluna Você sabia? do blog Homem ao Mar vamos contar sobre hábitos que vieram da cultura açoriana e já estão inseridos no cotidiano brasileiro, mas que parte da população brasileira ainda desconhece sua origem.

O culto e a festa do Divino Espírito Santo é uma das principais heranças da chegada dos açorianos ao Brasil, entre 1748 e 1756. Seu ritual longo e pomposo, que mistura o religioso e o profano, se tornou uma tradição, primeiramente em todo litoral catarinense, hoje em várias locais do pais, cada qual com seu jeito típico.

As festas são precedidas de romarias da bandeira do Divino, cuja finalidade é recolher "esmolas", destinadas a auxiliar as despesas com a festa. Os festejos começam depois da quaresma com a saída da bandeira do Divino, de pano vermelho, no qual aparece bordada uma pombinha branca. Esta percorre todas as casas, realizando a coleta de donativos para a grande festa. Geralmente, as famílias que recebem as bandeirias do Divino oferecem aos foliões comedorias diversas. O grupo de foliões é composto por músicos (rabeca, cavaquinho, violão, tambor surdo e gaita) e cantadores. Em Santa Catarina, é nas comunidades de Ribeirão da Ilha, Campeche e Santo Antônio de Lisboa (no interior da Ilha de Santa Catarina), e nos municípios de Governador Celso Ramos, Tijucas, Enseada do Brito e Laguna, onde se encontram as bandeiras da forma mais tradicional.

As festas do Divino Espírito Santo ocorrem nos meses de maio, junho ou julho. Com duração de três dias (sábado, domingo e segunda-feira). No sábado realiza-se o cortejo imperial com missa festiva em honra ao Espírito Santo. Após a missa realizam-se apresentações folclóricas, folias, bailes e queimas de fogos de artifício. No domingo acontece a festa propriamente, com a coroação da imperatriz e do imperador durante missa solene, e a escolha do novo casal imperador, que coordenará as festividades do ano seguinte. O casal proclamado toma posse na segunda-feira, encerrando o "Ciclo do Divino Espírito Santo".

Fonte: Folclore Catarinense, de Doralécio Soares.

Casa dos Açores/SP

Na noite do último sábado (20/03/2010) nossa equipe foi muito bem recebida na Noite da Pizza da Casa dos Açores de São Paulo. A festa se passou repleta de histórias sobre as ilhas, a vida e hábitos dos ilhéus, o recomeço na imigração para o Brasil, as imigrações açorianas para os Estados Unidos e Canadá, e muitos outras.



Os senhores Dimas e Zé Luis nos mostraran muitas fotos, livros e peças de artesanato tradicional. Também contaram com detalhes como serão as comemorações do Divino Espírito Santo deste ano.



Agradecemos a disposição de todos!

Fotos: Danielle Kas

terça-feira, 23 de março de 2010

Bem-vindo

HOMEM AO MAR é um projeto de documentário para televisão e cinema que busca retratar a influência dos Açores e dos açorianos no Brasil. Na rotina de várias cidades no litoral de Santa Catarina, encontra-se uma rica mistura de culturas que reúne a tradições e hábitos trazidos do arquipélago atlântico mesclados a outros aqui desenvolvidos, na adaptação à nova terra e no contato com outras culturas.

O filme se sustenta na importância de conhecermos uma das bases culturais brasileiras mais influentes, ricas e, ironicamente, menos estudadas e retratadas. Sua origem e miscigenação. Sua religiosidade, suas lendas, o confronto com o mundo contemporâneo, as influências como a gastronomia e os costumes, e o quanto tudo isso faz parte do imaginário e do costume brasileiro. Só conhecendo suas particularidades, seus preciosos detalhes, poderemos preservar e perpetuar esta rica página da nossa civilização.

HOMEM AO MAR, além de retratar e registrar, quer alertar e apontar para a importância desta cultura de características únicas, tipicamente brasileira, que ao mesclar conhecimentos e tradições indígenas, negras e coloniais, construiu um dos mais belos capítulos da história do Brasil.